quarta-feira, 29 de junho de 2011

Exercícios físicos - Lutando contra a maré I

Amigos Parkinsonianos,

Quando fui diagnosticado (depois conto esse episódio detalhadamente) decidi que faria tudo para nadar contra a maré. Tudo que estivesse ao meu alcance para ser mais forte que o parkinson ( durante o passar dos blogs eu contarei os meus planos) eu estava disposto a fazer.

Entre todas aa recomendações que recebi  uma foi unanime: Faça exercícios físicos.
Então fui em uma academia e escolhi uma atividade.

No começo, como acontece com todo o mortal, voce fica empolgado, animado, com vontade de cantar uma bela canção, mas depois que passam 3 meses aquilo começa a entrar na rotina e voce começa a desanimar. E isso começou a acontecer comigo. Mas eu resisti. Tinha a convicção que isso não era uma passatempo e nem uma atividade estética mas tinha haver com minha saúde, com o meu bem estar e de minha família. Eu resisti. E hoje estou a praticamente há 3 anos fazendo exercícios que vão de segunda a sábado regurlamente.

3 dicas por experiência:

- Faça um exercício físco regularmente. Seja disciplinado. Os exercícios físicos regulares retardam os sintomas.
As vezes que fiquei 3 dias sem me exercitar senti uma grande diferença na minha coordenação. Mesmo com a medicação o tremor e a falta de coordenação aumentavam além de uma sensação de incomodo que ainda não consegui entender no braço onde possuo o tremor.

- Faça um exercício que force a musculatura.
Independente da atividade que voce faça, seja ela fisioterapia, yoga, pilates, kamaSutra, RPG que são atividades essenciais para quem possui parkinson faça também uma atividade que force o membro que lhe incomoda mais. No meu caso o meu braço esquerdo é o atingido. Forço ele sempre que posso. Sinto que a coordenação melhora com o tempo.

- Resista aos primeiros 3 meses
Por experiencia própria iniciar exercícios é como abrir uma empresa. Se ela não falir no primeiro ano ela tem futuro. No caso dos exercícios são os 3 primeiros meses. Já vi dezenas e dezenas de pessoas começarerm empolgados na academia, comprando até roupas típicas, e não voltarem depois de 8 semanas. É comum. As pessoas se entregam a preguiça. É compreencível visto o mundo em que vivemos. Mas o parkinsoniano têm que lembrar que nós temos um outro ojetivo. Lutar contra a maré. Então seje disciplinado.

Amigos,
não sou médico e nem formado em saúde. Lembrem-se, qualquer informação aqui é por minha própria experiência.

Um tremendo abraço a todos.

terça-feira, 28 de junho de 2011

O guarda

Olá a todos parkinsonianos,

Nesta última sexta-feira eu e minha esposa fomos no aeroporto de confins em Belo Horizonte (moro aqui) buscar meu irmão. Durante o caminho a luz do motor acendeu duas vezes e apagou. Fiquei meio preocupado. Comecei a achar que era falta de água. (Por aí voces percebem que não entendo nada de motor)
Como estava sem dinheiro para o estacionamento, que como todo aeroporto é muito caro, resolvi estacionar na rodovia que leva ao aeroporto ficando estacionado em frente ao mesmo, no acostamento. Assim como eu, vários carros também estavam estacionados lá com a mesma idéia.
Então desci do carro e entrei no aeroporto para arranjar água e também ver que horas o voo do meu irmão ia chegar pois tinha ouvido no rádio que o aeroporto de Porto Seguro, onde meu irmão mora, estava fechado devido a neblina.
Nesse meio tempo recebo uma ligação de minha esposa e quando atendo ela começa a falar:

- Corre aqui que tem um carinha do bhtrans multando.

Eu disse a ela:

- Liga o pisca alerta.

Comecei a correr desesperadamente e ao avistar o meu carro vejo o agente da bhtrans multando-o. Chego perto dele ofegnate com a corrida e disse:

- Amigo, amigo!!! Voce me multou?
- Lógico (disse ele), você estacionou no acostamento.
- (Eu) Mas meu carro está com o pisca aleta ligado.
- (bhtrans) Mas o capô do seu carro deveria estar levantado
- (eu) Isso não existe, eu não preciso levantar o capô pra dizer que o carro está com problemas. Já estou com o pisca alerta ligado. Então se o problema fosse no escape eu teria que abrir o capô?

OBS: Tenho 2 grandes sintomas do Parkinson. O tremor excessivo quando fico nervoso e a falta de coordenação.

Quando chegou a esse nível a coversa com o agente da bhtrans eu comecei a tremer incontrolávelmente e o agente logo percebeu. Com a cara assutada ele disse:

- Sr., não precisa ficar nervoso comigo. Não precisa tremer. Eu vou cancelar sua multa. Pode ir.

E eu fui. Tremendo, mas pelo menos sem multa.

Caros amigos,

hoje estou com uma grande dificuldade em digitar no teclado, algo que sempre fiz com orgulhosa rapidez. O motivo? Nesses últimos 3 dias pequei nos horários de tomar os remédios. Sou novo nisso mas uma coisa é certa: a disciplina com a medicação é muito importante.

Um tremendo abraço!!!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O início

A mais ou menos 2 anos e meio atraz meu braço esquerdo começou a tremer um pouco. Não dei muita importância pro caso. Mas depois de 6 meses os tremores começaram a piorar. Comecei a procurar alguns médicos,
O primeiro médico fez alguns testes comigo. Me pediu dezenas de exames de sangue, cabeça, coluna, urina. totozinho e afins. Me deu alguns remédios e nada. Nenhum diagnóstico. Entre um reseultado mal sucedido e outro esse neurologista perguntava:
- Voce é drogado?
Eu dizia:
- Lógico que não...
(Médico): Voce fuma uma maconhazinha?
(eu): Nunca
(Médico): Dá uma cheirada?
(eu): Jamais

OBS: Nesse quisito eu sou o que muitos consideram como "careta". Não bebo nem fumo.

(Médico): Voce é usuário de eroina?
(eu): Não!!!

E esse tipo de pergunta saia da boca do médio a cada 2 visitas. Até que no último dia depois de várias tentativas sem sucesso dos exames ele perguntou:
- Por acaso sua mulher é macumbeira ou feiticeira? Será que ela não fez algum "trabalho" pra voce?

No começo achei que era piada e dei uma leve risada amarela, aquela de cantinho de boca que voce dá quando a piada é sem gráça mas voce não quer deixar a pessoa sem graça, mas depois eu encarei ele e percebi que estava falando sério.
Desse dia em diante nunca mais voltei lá. Só me faltava essa, em vez de procurar médico teria que procurar uma casa de despacho. ( Nada contra eles, respeito todo o tipo de religião mas acredito na ciencia).
Procurei entre os neurologista quem seria o "pai de todos", quem era a referencia entre eles. Achei e logo na segunda consulta o diagnostico foi feito, seco, direto e sem rodeidos. Como deve sempre ser feito e sempre achamos que estamos preparados. Mas eu me enganei. Eu não estava.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Oi

(Eu): Alô
(Irmão): Oi, sou eu...
(Eul): E aí maninho, tudo bem?
(Irmão): Cara, fiquei sabendo de sua doença...
(Eu): É, fui diagnosticado com parkinson
(Irmão): É cara, fica tranquilo, só me faz um favor?
(Eu): Faço
(Irmão): Meu liquidifiicador quebrou aqui em casa e preciso que voce faça uns coqueteis aqui com o seu tremendo braço.

...Nesse momento eu comecei a rir sem parar, desliguei o telefone e então caí em lágrimas. Não pelo fato de tristeza pelo comentário mas sim de alegria. É, de alegria pois era assim que eu queria ser tratado daqui para frente. Sem dó, sem piedade. Como qualquer outra pessoa que possui uma doença qualquer.

Sou Miguel, tenho 30 anos e fui diagnosticado com parkison aos 28 e tenho como objetivo neste blog mostrar um dia a dia de um parkisoniano, os momentos engraçados as situações inusitadas, os momentos de raiva e alegria e como minha vida mudou, para melhor, depois de diagnostico.

Então vamos lá, um "tremendo abraço a todos".