sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas

Como fazer um pão? Simples, junte a  farinha, água e fermento. Depois basta apenas sovar. Fim?
Muitos diriam que é fácil. Mas nada é tão fácil para um parkisoniano. Principalmente quando tem alguém observando.




Quando voce ouve falar em Parkinson, qual a primeira visão que as pessoas possuem? Uma pessoa que treme desesperadamente que nem consegue atirar uma flecha na pira olímpica. 




não podemos julgar, pois antes de termos a doença também tínhamos essa impressão. Mas mal sabem as pessoas que o tremor não é a principal característica do Parkinson e sim alguns efeitos que não são vistos como, por exemplo, a falta de coordenação, o enrijecimento, entre outros.




Quando estou com a medicação em dia e estou calmo o tremor é quase imperceptível, mas se eu ficar nervoso fico totalmente exposto pelo tremor. E o que me deixa nervoso? As pessoas repararem no que voce está fazendo. Ficarem observando seus movimentos, não sei bem qual é o objetivo. Talvez esperando que voce trema. Ou achando que voce vai fazer uma bagunça imensa jogando tudo pro alto.




Quando sinto que tem alguém me observando fico extremamente nervoso. Mas sei que isso é questão de controle pessoal. Estou trabalhando nisso. Quando vejo que vou perder o controle, respiro fundo, deixo-me acalmar, faço questão de não pensar em nada no momento, mas sou interrompido por pessoas gritando:




- TAMBÉM QUEREMOS NOS SERVIR...




O recíproco também é verdadeiro. Quando estou calmo e tranquilo e vejo que uma pessoa está olhando para o meu braço contando que eu trema para ela satisfatoriamente se concretizar da verdade eu faço questão de não tremer. Fico totalmente imóvel e vejo a decepção no rosto da pessoa.




Se conhecer é o melhor caminho. Se conhecer a ponto de voce controlar o seu corpo é essencial. Talvez não controlar o corpo, mas sua mente. Quando passamos por situações complicadas sentimos fragilidade. E é essa fragilidade que nos faz perder o controle da situação. Não importa a situação, pare, concentre-se, respire e siga em frente.




Já tive momentos, principalmente em caixa de supermercado, que quando fui guardar as compras na sacola, comecei bem, mas em algum momento senti alguma dificuldade para abrir uma das sacolas. Quando eu olhei para frente tinha uma mulher que trabalhava no supermercado já olhando para mim, aí deu-se a desgraça!!!.




Comecei a tremer mais e nesse momento eu já nem conseguia pegar a sacola. Parei. Respirei fundo. Respirei fundo de novo. Respirei fundo mas uma vez. Tirei a mão da mulher que estava no meu ombro perguntando se eu estava passando mal e...  respirei fundo.  Segui em frente. Naquele dia eu percebi que a concentração sobre o nada, nos faz ter controle sobre tudo.





Então, pratiquem Ioga ou mastigue chiclete. Dizem que os dois acalmam.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Afinal, amar ao próximo é tão Démodé

Qando tenho oportunidade gosto de conversar com as pessoas que eu não conheço. Na rua, em filas, em restaurantes e gosto de ouvir suas histórias. Normalmente, sem nenhum receio, pergunto: Qual a sua motivação? O que te faz acordar todas os dias e levantar da cama?

É uma pergunta para se fazer a quem voce mal conhece? Não. Mas mesmo assim eu faço.

Tive minha documentação de motorista vencida. Então tive que realizar o exame médico novamente para renovar a carteira. Devido a alguns problemas de vista tive que ser encaminhado para uma segunda consulta de revisão.

Bem, ao chegar ao local estava na sala esperando pelo atendimento e notei que tinha algumas pessoas também na fila aguardando. Fiquei curioso para saber porque estavam ali, pois de alguma maneira. também tinham sido reprovadas no primeiro exame médico.

Primeiro reparei em uma Senhora que estava  com várias documentações na mão e impaciente balbuciando algum tipo de reclamação. Logo perguntei para ela porque ela estava ali e tive a seguinte resposta:

- Eu estou aqui para provar que tenho braço.

Oque? ? ?!!! Exclamei.

- No meu último exame médico o aparelho disse que eu não tenho braço esquerdo.

E eu novamente perguntei:

Oque? ? ?

- Sim. Eu não consegui tirar a carteira pois o laudo médico disse que eu não tenho braço.
Sem nenhum remorso eu iniciei uma risada que contagiou a todos na sala.

Fiquei imaginando ela caíndo em uma blitz e ter que explicar para o policial que ela tinha um braço mas que a documentação falava ao contrário. O policial iria falar:

- Olha minha senhora, aqui diz que a senhora não tem braço, mas a senhora tem btraço. Vou ter que apreender senhora por ter um braço a mais.

O que ela poderia dizer em seu favor?

- O seu policial, o braço cresceu dinovo.

Olha a senhora vai ter que pra delgacia para explicar esse braço a mais.

A minha última pergunta a mim mesmo é como ela deixou e assinou a documentação de que ela não tinha braço no momento do exame inicial.

Bem, neste momento em que estávamos confabulando sobre o que poderia acontecer futuramente com sua documentação, adentra ao recinto uma senhora na faixa de 50 anos de idade com muita dificuldade para andar e se locomover. Com o auxilio de uma bengala demorou quase 5 minutos para chegar a sala e sentar-se adequadamente.

Como de costume perguntei porque estava ali. E novamente fui surpreendido. A reposta dela foi:
- Estou aqui para tirar minha carteira na minha moto nova.

Oque? ? ?!!!  Exclamei.

Comprei uma moto nova e reque renovar a carteira para essa moto, disse ela.

E eu disse:

-oque? ? ? Renovar? ? ?

A senhora já tinha carteira, perguntei admirado.

- Sim, já tive 2 motos anteriormente.

E eu perguntei:

- O que? ? ?

É por isso que gosto de conversar com todo o tipo de pessoa. Voce encontra várias surpresas na vida de cada uma. E mesmo parecendo que a vida de um é parecida rotineiramente com a vida de outro, sempre existem curiosidade e peculiaridades que nos fazem refletir e nos fazem crescer de alguma forma. Aprendemos a rir juntos com os problemas e a entender que muita coisa pode ser superada sem nenhuma autopiedade.

Por mais que no dia voce esteja estressado, mal humorado e sem vontade de cantar uma bela canção, não perca a oportunidade de conhecer novas pessoas. E ao conhecer tente ouvir ao invés de falar. Lembre-se que conhecer histórias de vida diferentes o ajudará a centralizar a sua. Não julgue, não condene, não dê sua opinião baseado nos seus valores ou experiência, não dê conselhos (pois conselhos são uma forma de nostalgia. É como pegar o seu passado em uma lata de lixo, limpá-lo e vende-lo por um preço muito maior do que ele vale).


Apenas “ouça” .

Sua maldade então deixar um Deus tão triste.

ando mal?
O Sr. Sente bem?

Para qualquer parkisoniano essa pergunta é uma das mais realizadas pelas pessoas. Não sei se é de conhecimento de todos que o Parkinson tem como uma das suas grandes características a mudança na expressão facial. Muitos vão perdendo com o tempo a expressão normal e passam a ter uma expressão apática. Problema tranquilamente controlado com exercícios específicos.

Quando fui viajar para São Paulo em minha última ida à cidade resolvi viajar de ônibus de BH para SP. Lógico. A passagem é quase o mesmo preço do avião. mas para a data que eu estava querendo viajar o preço não compensava. Também tem a questão de praticidade, pois BH à SP fica a mais ou menos 5 horas de distancia. Então às vezes não compensa viajar de avião.

Bem, mas o que isso tem haver com a história?

- Nada.

Então, voltemos a minha viagem de ônibus que foi tranquila e muito rápida além do ônibus ser muito silencioso.

Eu ainda não sabia andar em SP capital, pois nunca tive interesse em aprender todas aquelas linhas amarelo que cruza com a vermelha, que pega a roxa e no final você já andou por 2 trens e 3 metrôs. Mas não estou reclamando, pelo menos o sistema funciona. Então, como eu não sabia o que fazer quando chegasse à rodoviária de SP pedi para que meu irmão fosse me buscar.

Quando cheguei a SP, desembarquei e coloquei minhas malas em um carrinho. Minha bolsa estava extremamente pesada, pois resolvi colocar todas as roupas em uma única mala. Subi um andar e ao chegar ao térreo, resolvi sentar, mas fisicamente não sabia onde estava. Não sabia onde terminava a rodoviária e começava a estação do metrô. Fui então para uma lanchonete para passar o tempo.

Coincidentemente era uma lanchonete especializada em pão de queijo. Quando perguntei o preço me lembrei do aeroporto, pois o preço estava igual.

Enquanto minha cunhada não chegava fiquei andando pelo local mas tomando cuidado para não perder um ponto de referencia. A rodoviária de SP é a maior da America latina, dessa forma, existem muitas lojas no térreo desde livrarias a perfumaria.

No momento em que estou procurando alguma coisa pra fazer ou comer, com as pernas doendo uma pessoa chegou perto de mim, uma e Senhora me fez as duas perguntas que iniciam este texto. O Parkinson e a medicação deixam as pernas um pouco fracas e sem coordenação o que acaba interferindo na sua forma de andar. Principalmente se você tiver andado muito.

Então imaginem a cena, eu com Parkinson, perdido na estação, olhando para todos os lados com a cara de “nada” e tropeçando na mala. É lógico que as pessoas acham que você não está bem.

Mas o que mais me impressionou não foi à pergunta dela, porque essa pergunta estamos cansados de ouvir, mas foi a preocupação de uma estranha comigo. Falei com ela que estava bem mas que estava perdido e se ela podia me ajudar a sair dali porque queria ir para fora da estação, em um ponto de referencia para minha cunhada me achar. Ela me perguntou:

-Voce quer ir para onde
Eu disse:
- eu não sei!!! Eu so quero é sair desse prédio. Só isso. Estou aqui a 1 hora e ainda não encontreii a saída.

Ela gentilmente me mostrou a saída e fui para um ponto de ônibus local. Pouco temo depois minha cunhada me liga perguntado onde eu estou e então nos encontramos dentro da estação do metrô.

Naquele mesmo momento fiquei sabendo que ela não tinha ido de carro me buscar e sim de metrô.

Deu-se a desgraça.

Dor nas pernas, falta de coordenação e metro lotado para embarcar e com uma mala gigante seria uma bela viagem. O que me leva a uma pergunta: Quem falaria para voce que  “vou te te pegar no metro” e me aparece a cunhada para voltarmos a pé. Por mais que não pareça eu sou adulto e só porque eu tenho Parkinson não quer dizer que eu não sei perguntar as coisas, que eu não conseguiria ir sozinho.

Estou divagando dinovo.

Essa história da  Sra. Perguntando se eu estava bem me fez pensar com muitas pessoas  ainda são boas pelo simples fatos de serem boas. Algumas pessoas se importam com voce porque simplesmente se importam com o ser humano.

Quando perguntei, por curiosidade, qual a religião dela: ela disse que não segue nenhuma religião. O que me fez pensar. Esse tipo de pessoa que vive ou tenta viver em função do bem e não em função do mal. O que quero dizer?

Bem, infelizmente muitas pessoas fazem o que é certo pois a religiões pregam um certo tipo de punição que um Deus faria caso ele não o faça, Quer dizer, se você não fizer o bem você será castigado. Se você não seguir as regras você será enviado ao inferno de fogo.

Essas pessoas vivem em função do mal. Eu não vou prejudicar o meu amigo pelo motivo que eu não quero prejudicá-lo e não pelo fato de eu ser punido. Eu vou fazê-lo porque isso me faz bem.


Nossa sociedade não pode ser movida pela motivação de não ser punido por fazer ou deixar de fazer o que é certo e sim pelo amor, Pregar um Deus que pune ou que interfere em nossas vidas me deixa duvidoso sobre a que deus as pessoas estão servindo.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

O mal do século é a solidão


Um grande autor inglês de nome Gustave Flaubert escreveu: Tenha cuidado com a tristeza. É um vício.

Isso realmente é verdade. Quando nos acostumamos com a tristeza e o isolamento, é uma ótima maneira de ferirmos a nós mesmos. Achamos que a nossa tristeza ira afetar a sensibilidade de alguns e teremos mais complacência de outras pessoas. Se isolar e se entristecer só mostrará que voce precisa de carinho e atenção absurda que naquele momento voce não está obtendo.

Então, quando voce se sentir triste ou apequenado busque a companhia de outras pessoas. Pessoas que sejam bem humoradas, pessoas que sejam dinâmicas, principalmente pessoas que te façam rir.

Pessoas que façam voce rir. Essa e a chave.

Quando voce vê o mundo de uma forma alegre, bem humorada, fazendo piadas de todas as situações, a vida fica mais fácil de se levar. Temos de viver, pois como disse o autor Oscar Wilde: Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.

Quando eu perdi meu pai, durante o velório, houve uma pessoa que me distraiu durante a ocasião. Eu tinha 13 anos e essa idade é quando voce tem a figura do pai, e voce entende que aquela pessoa é o seu herói. E naquele momento o meu herói tinha partido.

Durante o velório essa pessoa me distraiu por algum tempo e fez aquele momento se tornar menos doloroso. :Até me fez rir em alguns momentos. Então, naquelas poucas horas de tristeza, percebi que o mundo não tinha acabado com a morte do meu pai e que o mundo não ia parar para o meu sofrimento e que o mundo continua a girar independente dos meus problemas. A vida segue, e voce precisa de pessoas inerentes a situação para colocar os seus pés no chão e fazer voce voltar a realidade.

Por isso valorizo pessoas bem humoradas, não pessoas que fazem piadas. Por favor, não confundam pessoas chatas que fazem piadas (normalmente prontas) de toda a situação, com pessoas que tem um humor inteligente. Um humor que saiba a hora certa de ser colocado.

As vezes as pessoas mais interessantes são as pessoas que não possuem todas as respostas. Como disse Voltaire: Devemos julgar mais as pessoas pelas suas perguntas e não pelas suas respostas.

Ser bem humorado é diferente de ser engraçado. A pessoa engraçada tem essa característica nos momentos apropriados para ela. É uma característica que ela impõe quando quer independente da opinião de outrem. Normalmente na ânsia de se tornar aceitável pelos que o rodeiam ou medo de não ser notado pela sua falta de qualidade interpessoal.

Uma cena simples que nunca esqueci  foi quando eu estava na fila do Macdonald e um rapaz de maneira séria começa a conversar com a atendente. Ele foi tão bem humorado com a atendente e tão sorridente momento depois, brincando com a situação de não ter o produto que ele queria, que o meu desejo naquele momento era conhecê-lo e me tornar seu amigo. O bom humor dele com a situação, levando as coisas na brincadeira, cativando as pessoas em sua volta e fazendo outra pessoa que ele não conhece sorrir me deixaram com a vontade de ser também igual como suas atitudes.


Busque pessoas bem humoradas com a vida. Tenha-as como amigas. Se rodeiem deles. Voce sentirá uma forte razão de viver. Sei muito bem que nem tudo são flores no dia a dia de um parkisoniano, mas uma coisa eu tenho certeza é que através do humor vemos no que parece racional, o irracional; no que parece importante, o insignificante. Ele também desperta o nosso sentido de sobrevivência e preserva a nossa saúde mental!

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Voces querem que eu tenha a resposta, mas eu não sei qual é a pergunta

Definitivamente a cidade de São Paulo não é uma cidade para um parkisoniano morar. Não, não estou falando mau da cidade, pelo contrário, acho a cidade linda, com uma cultura viva, uma gastronomia sem comparação pela diversidade e por todos os outros quisitos que a declamam com maior cidade do Brasil e maiores do mundo. A suas famosas ruas de 25 de março, Braz, Santa Efigenia, Teodoro e Sampaio sempre foram muito convidativos.

Essa semana resolvi visitar São Paulo (capital) e parte dessa visita se deu com a minha sobrinha. Uma jovem de 17 anos de nome Barbara que me ciceronou durante os dias que estivemos na cidade. Apesar de ela também morar em Belo Horizonte, ela possui um conhecimento dos pontos turísticos da cidade de uma maneira bem natural.

Para qualquer um que vai visitar São Paulo se não quiser ficar parado no transito e andar em muitos lugares no mesmo dia sabe que isso não acontecerá com um carro. Mas a única maneira disso acontecer é de metro (ou trem).

O Trem (ou metrô) em SP te leva a todos os lugares da capital. É muito utilizado no vai e vem dos trabalhadores. Por isso, em horários de pico, ficam estremamentes cheios ao ponto de voce se sentir uma sardinha dentro da lata. E voce deve procurar entrar de algum jeito, porque toda a vaga, todo o espaço é disputado de maneira acalorada. Agora, se voce tiver no meio da muvuca, não se preocupe, basta apenas deixar ser levado pela multidão. Nesses momentos de empurra-empurra seus pés chegam a flutuar.

Como iria passar alguns dias na cidade resolvemos (eu e minha sobrinha) visitar alguns pontos turísticos, como por exemplo, o MASP, biblioteca publica, a cidade velha, e alguns outros. Todos os trajetos realizados via trem.  Gastamos em média 1 a 2 horas para  chegar em qualquer lugar da cidade, essa é uma grande vantagem nesse caso.

Mas não se enganem. Para as pessoas, principalmente que tem Parkinson, que preza por uma vida calma e tranquila (ou é forçado a prezar) as estações de trem em SP não são para nós. Além da pressa e e correria que é típico do paulistano é associada com a cara de stress e cansaço dos usuários desse meio de transporte.

O caminho para pegar o metro (ou trem) era subindo escadas, descendo escadas, elevador, escada rolante para cima, escada rolante para baixo, escada rolante que não rola e esteiras. A correria é constante, Para mim, sempre com passos lentos, sair de um ponto para o outro era no mínimo estranho. As minhas pernas já não respondiam e quando eu estava quase sentando de cansaço eu via uma mão puxando o meu braço dizendo:

- Vão embora tio, tá demorando.

E assim minha caminhada continua.

Ao sair do trem, cuidado, existe um vão grande entre o trem e o piso da estação que se o motorista do trem não tivesse informado eu nem repararia, mas a persistência na atenção que deveríamos dar a este fato me deixou mais nervoso. Antes não tivera avisado. Cada vez que eu saia  do trem ficava mais difícil pular aquele vão. Para um parkinsoniano as coisas pequenas são as que dão mais trabalho.
Dentro do vagão com o trem em movimento fui surpreendido pela feira que iniciou-se no recinto. De uma hora para a outra surgem pessoas com vários produtos na mão para serem vendidos. Entre eles: Balas de gengibre que ajudam no combate a gripe, fones de ouvido que aumentam e diminuem o volume do seu aparelho por R$ 5.00 e são originais e testes são realizados no local com o seu celular, lógico, para certificar que o produto é original. Também são vendidos torresmos no formato de salgadinho, pipoca, carteira de coro que acomoda 10 cartões e que na rua é 15 e com eles é 5. Quando é aberto as portas de qualquer estação onde os fiscais permanecem de olho nessa venda proibida, os vendedores simplesmente somem e reaparecem quando as portas se fecham.

Saindo de uma estação e indo para o local onde pegaríamos outra linha, utilizamos o elevador, no qual reparei que é tratado da mesma forma que o metrô. Entram no elevador quantas pessoas puderem ocupar aquele espaço. Ninguém verifica a mensagem de passageiros ou peso máximo. O elevador nada mais é que um trem (metrô) em vertical.

Tudo é tratado com muita pressa e quando eu paro com a minha sobrinha para tirar fotos da estação as pessoas acham estranho, mas não ligam, lógico se voce não atrapalhar o caminho delas que aliás é onde voce precisa tomar cuidado, principalmente usando as escadas rolantes. Fique,  por sua segurança, no lado direito da escada porque ao contrário voce será atropelado pelo pelotão que vem a sua esquerda.

Ao entrar no vagão ou ser empurrado pela multidão para dentro dela reparei que o espaço, seja qual for o tamanho, é conquistado bravamente. Eu estava em pé com as duas mãos para cima para me segurar dos solavancos do transporte e ao meu lado em menos de um metro quadrado mais 5 pessoas, e enquanto eu estava pensando em como viver assim todos os dias me veio a resposta observando atentamente uma garota. Ela estava com o braço para cima segurando-se e com o celular em outra mão. Não havia espaço entre ela e as 7 pessoas que a rodeava naquele momento. Foi nessa hora que ao olhar para o rosto dela, a garota estava com o semblante tranquilo e calmo, se segurando com uma mão pra cima e a outra digitando normalmente no celular, como se aquilo fosse um momento natural e comum.

Ai está o problema. Acostumar com a situação. Deixar que coisas que normalmente te aborreceriam entrassem em sua rotina. Talvez a aceitação seja o melhor caminho. Aceitar as situações nos ajuda a lidar com os infortúnios do dia a dia.

Vendo isso voce me pergunta:

Tá bom, então me fala o que eu tenho que fazer para não aceitar essa situação e mudar a minha rotina e sair de minha zona de conforto  para ter uma qualidade de vida melhor

-Resposta:

- Não sei! Me diga voce.

Enquanto voce tiver dúvida sobre seus sonhos,  eles serão apenas expectativas tolas que nada significam; então pergunte-se: Como podemos chegar até as nuvens com os pés no chão