quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Sua maldade então deixar um Deus tão triste.

ando mal?
O Sr. Sente bem?

Para qualquer parkisoniano essa pergunta é uma das mais realizadas pelas pessoas. Não sei se é de conhecimento de todos que o Parkinson tem como uma das suas grandes características a mudança na expressão facial. Muitos vão perdendo com o tempo a expressão normal e passam a ter uma expressão apática. Problema tranquilamente controlado com exercícios específicos.

Quando fui viajar para São Paulo em minha última ida à cidade resolvi viajar de ônibus de BH para SP. Lógico. A passagem é quase o mesmo preço do avião. mas para a data que eu estava querendo viajar o preço não compensava. Também tem a questão de praticidade, pois BH à SP fica a mais ou menos 5 horas de distancia. Então às vezes não compensa viajar de avião.

Bem, mas o que isso tem haver com a história?

- Nada.

Então, voltemos a minha viagem de ônibus que foi tranquila e muito rápida além do ônibus ser muito silencioso.

Eu ainda não sabia andar em SP capital, pois nunca tive interesse em aprender todas aquelas linhas amarelo que cruza com a vermelha, que pega a roxa e no final você já andou por 2 trens e 3 metrôs. Mas não estou reclamando, pelo menos o sistema funciona. Então, como eu não sabia o que fazer quando chegasse à rodoviária de SP pedi para que meu irmão fosse me buscar.

Quando cheguei a SP, desembarquei e coloquei minhas malas em um carrinho. Minha bolsa estava extremamente pesada, pois resolvi colocar todas as roupas em uma única mala. Subi um andar e ao chegar ao térreo, resolvi sentar, mas fisicamente não sabia onde estava. Não sabia onde terminava a rodoviária e começava a estação do metrô. Fui então para uma lanchonete para passar o tempo.

Coincidentemente era uma lanchonete especializada em pão de queijo. Quando perguntei o preço me lembrei do aeroporto, pois o preço estava igual.

Enquanto minha cunhada não chegava fiquei andando pelo local mas tomando cuidado para não perder um ponto de referencia. A rodoviária de SP é a maior da America latina, dessa forma, existem muitas lojas no térreo desde livrarias a perfumaria.

No momento em que estou procurando alguma coisa pra fazer ou comer, com as pernas doendo uma pessoa chegou perto de mim, uma e Senhora me fez as duas perguntas que iniciam este texto. O Parkinson e a medicação deixam as pernas um pouco fracas e sem coordenação o que acaba interferindo na sua forma de andar. Principalmente se você tiver andado muito.

Então imaginem a cena, eu com Parkinson, perdido na estação, olhando para todos os lados com a cara de “nada” e tropeçando na mala. É lógico que as pessoas acham que você não está bem.

Mas o que mais me impressionou não foi à pergunta dela, porque essa pergunta estamos cansados de ouvir, mas foi a preocupação de uma estranha comigo. Falei com ela que estava bem mas que estava perdido e se ela podia me ajudar a sair dali porque queria ir para fora da estação, em um ponto de referencia para minha cunhada me achar. Ela me perguntou:

-Voce quer ir para onde
Eu disse:
- eu não sei!!! Eu so quero é sair desse prédio. Só isso. Estou aqui a 1 hora e ainda não encontreii a saída.

Ela gentilmente me mostrou a saída e fui para um ponto de ônibus local. Pouco temo depois minha cunhada me liga perguntado onde eu estou e então nos encontramos dentro da estação do metrô.

Naquele mesmo momento fiquei sabendo que ela não tinha ido de carro me buscar e sim de metrô.

Deu-se a desgraça.

Dor nas pernas, falta de coordenação e metro lotado para embarcar e com uma mala gigante seria uma bela viagem. O que me leva a uma pergunta: Quem falaria para voce que  “vou te te pegar no metro” e me aparece a cunhada para voltarmos a pé. Por mais que não pareça eu sou adulto e só porque eu tenho Parkinson não quer dizer que eu não sei perguntar as coisas, que eu não conseguiria ir sozinho.

Estou divagando dinovo.

Essa história da  Sra. Perguntando se eu estava bem me fez pensar com muitas pessoas  ainda são boas pelo simples fatos de serem boas. Algumas pessoas se importam com voce porque simplesmente se importam com o ser humano.

Quando perguntei, por curiosidade, qual a religião dela: ela disse que não segue nenhuma religião. O que me fez pensar. Esse tipo de pessoa que vive ou tenta viver em função do bem e não em função do mal. O que quero dizer?

Bem, infelizmente muitas pessoas fazem o que é certo pois a religiões pregam um certo tipo de punição que um Deus faria caso ele não o faça, Quer dizer, se você não fizer o bem você será castigado. Se você não seguir as regras você será enviado ao inferno de fogo.

Essas pessoas vivem em função do mal. Eu não vou prejudicar o meu amigo pelo motivo que eu não quero prejudicá-lo e não pelo fato de eu ser punido. Eu vou fazê-lo porque isso me faz bem.


Nossa sociedade não pode ser movida pela motivação de não ser punido por fazer ou deixar de fazer o que é certo e sim pelo amor, Pregar um Deus que pune ou que interfere em nossas vidas me deixa duvidoso sobre a que deus as pessoas estão servindo.

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