sábado, 3 de setembro de 2016

Eu rabisco o sol que a chuva apagou

Uma das coisas mais gravadas em minha memória da época da minha infância era a convivência que tinha com a  minha vizinhança. Morávamos em uma rua  sem saída onde proporcionava que brincássemos ao ar livre. O asfalto já era pintado com as marcações de uma quadra de futebol. Mais acima na rua tinha a marcação para vôlei. E assim todos os finais de semana a vizinhança toda saia na rua para brincar, praticar esportes, conversar e ficar a toa.

Era maravilhoso. Sempre tinha alguém que trazia água gelada ou da mangueira para refrescarmos do calor de jogar bola. Quando chegava a noite brincávamos de pique esconde. Quando não tinha nada para fazer, principalmente, para nós que éramos crianças a solução eram duas: ou ver TV ou ir pra rua e conversar com os amigos. Quer dizer, tínhamos vídeo-game e quando eu digo vídeo game quero dizer atari ou micro system com o famaso Sonic. Lógico, o vídeo game não era nada comparado ao que é hoje mas, mesmo assim, não era mais forte do que jogar uma brincar na rua.

Um das coisas que eu mais sinto saudade daquela época, é que não tínhamos internet via celular, e por isso quando faltava a Luz todos saiam na rua para conversar e matar o tempo e quando a luz voltava tinha até aquele sentimento de :  Poderia  ter durado mais, que pena!!!

Hoje gosto quando a luz acaba. É o momento que mesmo dentro da família temos a chance de conversar um com o outro sem estarmos conectados. Não estou dizendo isso porque não gosto de tecnologia, eu trabalho como analista de TI. É porque esses momentos de comunhão e de desfrutar da presença de outros está cada vez mais incomum.

Eu sei, eu sei.
zHoje temos acesso a todo tipo de informação. Quando temos uma dúvida, não perguntamos a ninguém, pegamos o nosso celular e a resposta direto no Google. Temos muito mais acesso a informação e melhor, todos as classes sociais tem acesso a este mundo digital de conhecimento.

Quando cumprimentamos uma pessoa qualquer, falamos: “Olá, como vai?” ,  automático, impensável e desprovido de qualquer interesse pelo outro.  Quando é que queremos saber como realmente a pessoa está?  O que ela está sentindo naquele momento e o que voce pode fazer para ajudá-lo. Quando é que mostramos real interesse pelo nosso próximo?

Temos 500 amigos adicionados no nosso whatsup mas quantos são realmente amigos. Quando voce tem realmente o interesse de como ele está se sentindo. Hoje ganhamos na tecnologia e acesso a informação mas esquecemos que muitas experiências aprendidas são por conversarmos com pessoas próximas a nós, família ou não. Quantas vezes já conversamos com desconhecidos no ponto de ônibus em que a história de vida dela lhe dá um exemplo de vida quando voce menos esperava;  e te ajudou de alguma forma que o google não te ajudaria?.

Eu fico vendo todas as pessoas com o telefone na mão e penso: Legal!!! A tecnologia é pra isso mesmo. Cada vez mais vem para diminuir o tempo de desperdiçado e nos faz ganhar tempo em atividades que demoraríamos muito para executar. Por exemplo, não precisamos mais ir no banco. Não é fantástico, quem diria que eu deixaria de pegar ônibus ou carro, estacionar, enfrentar uma fila no banco e conseguir fazer isso hoje tudo pelo celular que esta no meu bolso.  Quem diria que eu não precisaria sair de casa para comprar passagens áreas, fazer compras, pedir comida. Digo até mesmo pelo próprio celular. Quem diria que cada um teria o seu próprio telefone e cada um pode ser achado 24 horas por dia sem voce perder tempo.

Tempo. É isso que buscamos e nos deixa um paradoxo atualmente. Hoje, temos a tecnologia para encurtar nosso trabalho. E qual é o objetivo de diminuir nosso trabalho!

- Ganhar tempo!!!

E o que fazemos com o nosso tempo:

- Ficamos cada vez mais utilizando a tecnologia, distraídos com jogos e redes sociais.

É um circulo viciante.

Em uma noite bucólica de um final de novembro, fui jantar na casa do meu irmão. E quando eu cheguei estava 7 pessoas na mesa, distribuídas geometricamente e todos usando o celular e utilizando o whats.

Silencio, Era única coisa que ouvia.

Risadas. Foi o que ouvi logo em seguida. Mas, notei que todos riram ao mesmo tempo e depois de poucos segundos percebi que todos estavam no mesmo grupo...

Fiquei bestificado.

Minha família, em volta da mesa, conversando entre si pelo whatsup. O que eu poderia fazer:

Pedi para me adicionarem no grupo pois queria almoçar com eles.

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