sábado, 3 de setembro de 2016

Nada mais vai me ferir.

Não possuo hãbito de ler as bulas dos remédios que eu tomo. Não acredito em todas as coisas que estão escrita neste papel. Não é que eu duvide da reação ou da utilização dos medicamentos. Mas  também acredito muito no efeito placebo. 

Você pega a bula, lê-a e vai principalmente no assunto “ efeitos colaterais” onde você fica abismado achando que todos aqueles efeitos colaterais vão acontecer com você. E nossa mente acaba trabalhando com a sua preocupação e tendenciando a você sofrer daquilo que você acha  que vai sofrer. A mente é um sistema absurdo.

Os efeitos colaterais de remédios são tão expansivos que acho que eles colocam na bula todas os efeitos possíveis e imagináveis porque se ocorrer algum deles com alguém a farmaceuteca estará resguardada.

Porque estou falando de descrições de bula? 

Bem, porque estive no shopping semana passada, depois que já tinha recebido o meu salário e estava feliz, pois diferentemente de vários dias do mês, aquele momento eu estava em condições de comprar o que eu quisesse e comer e me esbaldar. Já sabendo que depois de pagar as dívidas mensais, em menos de 10 dias, voltaria para a estaca zero. Mas tudo bem, deixe-me aproveitar os meus pequenos momentos de prazer.

Infelizmente eu tenho um sério problema em administrar o meu dinheiro. Quando tenho dinheiro na mão se torna um vendaval.  Acho que preciso comprar tudo o que aparece pela frente. Várias vezes vou ao supermercado, pego todos os produtos que posso, desde a um chips doritos até um caderno de capa mole fraseado. Quando chego no caixa para pagar, paro e me pergunto: Eu realmente preciso disso? Isso realmente é necessário? Nesse momento eu vou retirando tudo do carrinho que é supérfulo e adivinhem: 

Só sobrou o pepino e dois tomates. 

Deixo tudo lá e levo as verduras. Isso porque é saudável.

Quando vou no shopping com dinheiro no bolso eu fico imaginando a sensação que uma mulher tem quando entra em um lugar daqueles (mas elas tem essa sensação com ou sem dinheiro) e fico vendo nas vitrines tudo o que eu queria comprar que não tem a menor necessidade.

As vezes estou em casa e gosto de assistir ao shoptime, (aquele famoso canal de compras Da-lhe  Botine) nesse momento fico observando quanta coisa diferente existe, que eu não sabia e fico mais atordoado ainda  quando vejo que aquilo que eu não conhecia é "essencial" para minha cozinha agora.
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Eles tentam lhe convencer que você precisa de um acessório, que você nunca precisou mas agora você não consegue mais cozinhar direito sem ele. E você precisa comprá-lo, porque o tempo de promoção está se esgotando, já foram vendidas 33 unidades e são apenas 40 no estoque.

Quando olho já estou no "canal do boi'  vendo cabeças de gado para comprar para uma fazenda que eu não tenho e no sofá segurando uma faca "Ginso", que corta tudo desde um tomate até um cano de cobre, e fazendo pipoca  na minha nova pipoqueira "SunKitchen".

Minha família sempre me pressiona a não gastar dinheiro a toa. A ser controlado, a tentar guardar mais um pouco por mês. Tudo o que eu compro desde coisas pequenas é criticado por minha família, perguntando: Pra que voce precisa disso?

Eu nunca tenho uma resposta. Por que não há´uma resposta certa para isso.

A poucos dias atrás, estava eu no banheiro, utilizando-o, quando me deparei com uma caixa do remédio que eu tomo para o Parkinson muito conhecido que se chama SIFROl. Bem, como todo o ser humano faz quando está no banheiro, e não tem nada pra fazer, você normalmente pega um desodorante, um shampoo, um condicionador ou qualquer produto que estiver perto para ficar lendo aquelas letrinhas escritas no verso da embalagem. Sempre com aquele “ fabricado na Argentina”.

Como já havia lido todos os rótulos decidi ler a bula do remédio, evidentemente com uma pitada de curiosidade antiga. Enquanto lia a parte de efeitos colaterais me deparei com o seguinte efeito: 

Compulsão para compras.

Quer dizer, tudo estava explicado. Aquela resposta que eu não tinha quando perguntavam porque eu gastava a toa, agora estava respondida.:

- Desculpa, mas é efeito colateral do meu remédio. Não posso parar de tomá-lo.

Mas também percebi que esse efeito também passam rapidinho quando você não possui dinheiro pra gastar, alias, ele nem se manifesta.

É um circulo vicioso mal escrito pelo universo que os parkinsonianos tem de enfrentar.

E uma frase ótima que eu ouvi sobre "vaidade": È você comprar uma coisa que você não quer com um dinheiro que você não tem, para mostrar a uma pessoa que você não gosta aquilo que você não é.

Parkinsoniano, não são terreaqueos, são parkinsonianos.

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