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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

"PARA O SEU GOVERNO, O MEU ESTADO É INDEPENDENTE"

Eu tinha acabado de tomar o meu remédio e estava saindo do shopping. Como sempre, depois de alguns minutos me encontrava muito agitado. E o meu caminhar era uma prova exata do que eu estava falando.

Como estava sem carro naquele dia, voltei de onibus, e para isso tive que ir andando para o ponto. Durante essa minha caminhada notei que ao meu lado passara um carro da polícia. 

Bem, nenhum problema com isso a não ser o fato que eu não me lembrava na hora, mas o meu andar e a minha euforia, não era de uma pessoa tranquila. E no meio desse pensamento avistei o farol de traz do carro da policia acendendo as duas luzes vermelhas. O carro tinha acabado de freiar. Percebi subitamente que isso poderia ter haver comigo, mas respirei fundo, acertei o passo e continuei a minha caminhada. Logo o carro da polícia desaparecera.

Quando estava já no ponto de onibus, passados já 10 minutos, vejo novamente o mesmo carro da policia passando. E na minha inteligencia criminal, encarei-os, pois na minha concepção quem encara não tem nada a esconder, e como eu supunha que eles estavam desconfiando de mim devido ao meu andar eufórico, continuei o meu contato visual com os dois policiais que estavam dentro do veículo.

Foi então que entendi que eu estava completamente enganado.

Quando ainda os observava de longe, o carro parou e calmamente os dois policiais desceram e começaram a andar em minha direação. Foi quando eu pensei:

- Isso não vai ser legal,

Nesse momento já tinha parado de olhar para os policiais a muito tempo, pois já notara a “cagada” que eu tinha feito. Mas já era tarde.

- Mãos para cima e encosta na parede!!! Disse um dos policiais.

- Porque? Retruquei, como se eu pudesse com essa simples pergunta mudar a situação. E mudou?

Não.

Nesse momento, os dois policiais sacam cada um sua arma e apontando para minha cabeça repetem a frase, agora seguidas de palavrões e um tom mais rispido:

- Encosta na parede. P***!!!

O ponto de onibus que estava cheio quando eu tinha chegado lá, instantaneamente, ficou vazio. Todo mundo tinha sumido. A partir desse momento eu mudei de uma simples humano que estava pegando um onibus para uma pessoa “craqueada” que ninguém queria chegar perto. 

Fizeram todas aquelas perguntas de rotina, rápidas, para verificarem se eu ia gaguejar ou talvez iria pensar demais para responder, caso eu estivesse mentindo:

- Nome do seu pai, onde mora, endereço, onde trabalha, quantos anos, identidade, cpf,

Perguntas essas feitas ligeiramente, sem chances de respirar. Mas uma coisas é fato. Quando voce está com duas armas apontadas para sua cabeça, no meio da rua, sinceramente o nome da minha mãe eu não lembraria. Talvez esquecesse o meu próprio nome.

Por sorte, o prolopa estava no meu bolso e quando eles perguntaram que remédio era aquele, eu tive chance de explicar.

Nesses últimos 6 meses passei por um período muito complicado devido a adaptação da medicação. Alguns medicamentos já não estavam fazendo mais efeito e tive que mudar, e com isso vieram os seus efeitos colaterais como já abordei em alguns tópicos anteriores. 

E infelizmente amados, como a doença é particularmente caraterizada pro sua individualidade generalizada, a questão da medicação é tentativa e erro.

Exatamente.  Temos que ir nos adaptando. 

o, não estou dizendo da adaptação medicamentosa, pois só medicamentos se adaptam a nosso organismo, estou querendo dizer que você tem se adaptar na questão de acostumar-se com uma medicação receitada não dar efeito. 

Você deve ter a mente aberta saber que aquilo não deu certo. É hora de voltar para o seu médico e dizer para ele que não está adiantando, que você precisa que ele de outra solução para os seus sintomas.

Procure outros médicos especializados, talvez em outros estados, em outras cidades, médicos conceituados e veja se realmente o que você está usando como medicamentos é o mais indicado para você. 

Lógico, que vai fazer essa avaliação é você. Mas se voce não está satisfeito com os resultados procure outra opinião. Procure sempre um especialista em doença de Parkinson. Discuta com ele. Faça todas as perguntas necessárias e cabíveis. SE você acha que sua pergunta vai ser ridícula, ótimo, pergunte assim mesmo.

As vezes ficamos tão desanimados quando a medicação não está fazendo efeito, que desistimos de continuar tentando. 

NAO faça isso. Não se entregue a morosidade dessa terrível doença.

Durante esses 6 meses angustiantes, fiquei muito lento ao ponto de travar, outras vezes bem, outras vezes com muitas dores, outras vezes sem dormir até que eu cheguei no estado que eu estou agora. Num estado calmo que eu tenho o meu reflexo e coordenação devolta e não estou tão agitado. 

Mas demoraram 6 meses para chegar nisso, passando por dias ruins e outros bons.

Quando eu digo que temos de nos conhecer e falar dos mínimos detalhes do que nos incomoda, penso na última vez que estive na minha médica e no final o da consulta ela disse o seguinte:

- Olha Rui, voce está vendo. Eu estou fazendo tudo ao meu alcance para resolver o problema. Para te ajudar. Eu não estou parada.

Essa frase me deixou um pouco confuso. Pios sentira que ali na minha frente tinha um humano e não um médico. Que também errava e que tinha suas dúvidas apesar de sua experiencia. Essa justificativa em forma de desabafo me deixou um pouco incrédulo e o meu fideismo diminuira um pouco, pois entendi que para chegarmos ao um senso comum temos que mesclar as duas opiniões, médico e paciente.

Todo o parkinsoniano tem que ter o profundo conhecimento de toda a medicação que está tomando e de seus benefícios e malefícios. Nós precisamos conhecer o nosso corpo, o nosso organismo e como tudo isso funciona.

Isso é importante na questão da nossa medicação. É de suma importância em os portadores da doença informar para os seus médicos o que está realmente fazendo efeito e como você está se sentindo talvez naqueles últimos dias ou mesmo com a sua última medicação. 

Por mais que é sabido que o Parkinson é uma doença com características padrões, sei também que é uma doença muito pessoal. Cada um tem certos tipos de sintomas e características diferentes e a forma como você dá importância para tais sintomas serão totalmente individuais.

Procure formas alternativas de lidar com a doença. Procure sempre fazer aquilo que você acha que te faz bem, que te deixa em um estado de espirito sereno e tranquilo.

Por mais que as recomendações para o tratamento de Parkinson sejam padrões, e você deve segui-los, você tem que se entender e saber o que é melhor para você. 

Muitas ortopedistas me informaram que eu devido ao Parkinson não deveria praticar a musculação, que é um tipo de atividade física que pratico desde o começo do meu tratamento.  

Em todos os casos em que fui orientado para parar, eu não parei. 

Porque? Eu estou sendo rebelde? Estou tentando reinventar a roda?

- De maneira alguma.

A explicação dos médicos para realizar esse abandono da atividade é que a musculação deixa os músculos enrijecidos. E como a nossa doença tem a característica de enrijecer a musculatura então chegou-se à conclusão que eu estaria “ajudando” a doença.

E eu, na minha ignorância médica, mas na minha experiência prática digo o seguinte:

- Temos o tremor que é essencial, mas imperceptível. Todos nós temos esse tremor pois é uma forma do cérebro entender que nossa musculatura existe. 

Agora quando falamos no enrijecimento da musculatura devido ao Parkinson, essa característica não é de um enrijecimento muscular, mas de uma paralisação de coordenação. 

A musculação tem como objetivo fortalecer a musculatura. E quando você faz força em um determinado membro e fortalece-o você automaticamente manda uma mensagem para o cérebro dizendo:

- Oi geleia. Eu estou aqui!!! Eu sou o braço, estou vivo. Estou apenas te lembrando.

E acredito que é assim para todos os membros. Da mesma forma como a fisioterapia é de ajuda para muitos, a massagem é essencial para outros, a musculação é primordial para mim. E acredito nisso, até que seja provado o contrário. 

Não há estudos científicos com nenhum grupo de participantes que diga que uma determinada atividade física foi mais prejudicial para uns do que para outros durante um certo período de tempo com dois grupos de pessoas que possuem a doença.

Mas, lembrando sempre, que esta opinião é particular e intransferível. Então o que pode ser bom para mim talvez não seja bom para você.

O resultado disso tudo é o seguinte:

Pratique exercícios físicos, independente de qual seja. Exercite sua musculatura. Diga para o seu cérebro que o resto do corpo está vivo. Tome a medicação no horário correto. Não se acostume com uma situação mais ou menos. Fale com o seu médico o que você sente. Debata com ele, mas lembre-se que ele sabe qual remédio é bom para sua situação. Não tenha mente fechada. Não pense pequeno e ache que não tomar remédios é uma coisa boa, que você é do tipo que não gosta de tomar remédios. Eles foram feitos para isso, para ajudar a resolver problemas químicos, então não seja ignorante nem bitolado.

Além disso, como o velho ditado diz, não exercite apenas o corpo. Exercite a mente. Não deixa sua cabeça vazia. Não faça as mesmas coisas todos os dias. Coloque sua cabeça para funcionar. Jogue xadrez, leia bastante livros, estude coisas diferentes, medite sobre coisas que você nunca parou para pensar, decore poemas, decore uma cena de “Hamlet” de Shakespeare, Aprenda a tocar um instrumento musical. 

Independentemente do que você queira fazer; Faça.

Não fique parado. Não fique a mercê da rotina, do seu dia a dia. Se as coisas estiverem monótonas, mude-as. Somos influenciáveis e por isso temos que tomar cuidado com o que nos rodeia. Não fique à deriva. Mas use o vento a seu favor mesmo que você ainda não saiba onde irá atracar, mas não deixe de se nortear para que não entre num eterno e monótono circulo vicioso da vida.



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