domingo, 11 de setembro de 2016

A insistência em ser barco a motor e insistir em usar os remos

Quando mudamos nos tornamos mais fortes. Essa é uma verdade que eu sempre discursei mesmo antes do aparecimento do Parkinson. Eu acredito fielmente que toda a mudança é pra melhor. 

Sim, exatamente. Voce deve  estar pensando:

- Haaa  tá, até parece, nem toda a mudança é pra melhor. 

Quando digo que toda mudança é para melhor eu digo em questão pessoal em crescimento, madurez, sabedoria. Sempre, todas as mudanças, nos fortalece. Eu vou ainda mais longe: Toda a mudança é para melhor.
Como disse Darwin: Sobrevivem apenas aqueles que se adptam-se a mudanças.

Quando nos confrontamos com situações difíceis ou quando somos atingidos pelos reverses da vida temos a tendência de aceitar a situação e continuar em frente. As vezes enfrentando uma depressão ou mesmo fingindo e não reagindo ao problema que te corroi.

É isso que temos de fazer. Quanto antes nos adaptarmos as mudanças mais será fácil de evoluirmos para o próximo estágio da nossa vida.
Se você foi diagnosticado com Parkinson não entre em conflito com Deus ou com o universo conspirador ou pragueje sobre seus amigos. Tente entender que a vida continua. Que o mundo não vai parar para sua doença. O transito vai continuar a existir, o padeiro da esquina da sua casa vai continuar a fazer pão todos os dias, a sua secretária não vai deixar de sempre dar um bom dia risonho mesmo sabendo que é falso. O mundo continua rodando.

Por isso quem é diagnosticado com o Parkinson passa certamento no processo que chamamos de " 5 estágios do luto". 

1 -  Raiva
2 - Negação
3 - Barganha
4 - Depressão
5 - Aceitação

Certamente voce passará por esses estágios. E uma coisa que é muito importante não confunda "aceitação" com "depressão". Nâo ache que talvez o fato de voce não se importar com nada seja um quadro de "aceitação". 

Trate sua depressão.

A depressão é um problema fisico e neurologico. É tratado com remédios. E não me venha com a "historinha" de que voce já toma muitos remédios para o Parkinson e não vai tomar mais um remédio. 

Trate sua teimosia

Não pare de tomar medicação e tome-a nos horários indicados pelo seu médico. Eu compreendo que voce acha isso uma bobagem, mas não é. Seguir com a medicação correta e nos horários é um grande fator para a estagnação da doença. 

Trate de sua soberba

Não acredite  que voce sabe tudo. Não mude a medicação ou ache que sua doença não está evoluindo e que voce pode diminuir a medicação. A modificação e a mudança do processo sem consultar seu médico pode lhe trazer consequencias irreversíveis.

Eu sei, eu sei. É difícil fazer. Falar é fácil. Mas lembrem-se: você se tornará mais forte se adaptar-se a mudanças.

O Parkinson com o tempo lhe dá a oportunidade de se adptar com várias situações. Eu já tenho problema de coordenação o que as vezes faz com que o meu toque de violão seja indecifrável. Quando isso acontece saio do violão e vou para a meia lua (instrumento igual um pandorim) porque é muito mais fácil para quem está tremendo tocar um pandeiro. Tenho puxões na rosto, que são movimentos involuntários, que eu disfarço como se fosse um bocejo. Devido a enrijecimento das pernas que aconteceu nesses últimos meses não consigo jogar futebol, mas consigo ser um ótimo goleiro.

Infelizmente problemas de limitação vão surgir e talvez você deixe de fazer coisas que antes gostava de fazer.

Aqui eu friso: Não estou dizendo que você deve desistir de fazer o que você gosta por causa do Parkinson. Estou querendo dizer que o seu mundo não precisa parar porque você não consegue mais fazer isso ou aquilo. 

Se você já lutou, já enfrentou corajosamente os desafios e mesmo assim não conseguiu, não se entregue. Não deixe seu mundo parar porque você não consegue fazer algo. Faça alguma coisa que compense isso e lhe deixe feliz.


Citando Shakespeare: Plante o seu jardim e faça o seu trabalho, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Não sou mais criança... a ponto de saber tudo!!!

Existe no mundo parkinsoniano que a maioria das pessoas não entendem. Quando tive os primeiros sintomas que é tremor leve em um dos membros, boca sempre entreaberta, lentidão ao se movimentar entre outros sintomas que não são assintomáticos.

Um dos sintomas mais curioso que estou tendo é o movimento involuntário da face. Simplesmente isso. Você começa a falar e subitamente vou rosto repuxa. E nãó é um repuxado qualquer não, é um repuxão que até sua cabeça balança. Consequentemente a sua frase vem com aquele som do repuxão.

Comecei a pesquisar quando é que esses repuxões na face se tornavam aparentes e percebi que poderia ser por dois motivos. Ou era a medicação fraca ou era a ansiedade. Acabei descobrindo que era os dois. 

Cuidado com a medicação. Ela é importantíssima. Tem que ser usada. 

Não me venha com a "historinha" de que você não quer atingir o seu estomago com tanto remédio, ou que esses remédios fazem mal para a cabeça ou que são simplesmente produtos  que originam-se de uma corja de empresas farmacêuticas querendo vender o seu material.

Parkinson, é uma doença neurológica, física. Precisa de remédios. Caso contrario não vai viver com qualidade. Remédios são feitos para curar e para dar alívio. Não deixa ficar no ostracismo devido a sua doença. Tome os remédios solicitados pelo seu médico. Se tiver achando estranho vá em dois ou trez ou quatro especialistas na área, mas vá!

Eu descobri que o Parkinson é uma doença e não um mal. Mas ela é muito sorrateira. Ela é um velho lobo do mar. Você acha que está bem, que você está controlado? Você então começa negligenciar alguns remédios.. Acha que pode por quanta própria diminuir a medicação só um pouquinho. Está feliz, realizado e exuberante criando uma falsa ideia que você está com a doença controlada. Você sai, se diverte, encontra os amigos, você chora vendo um filme e ri, mesmo não entendo a piada, de qualquer besteira que alguém conte. Nesse momento você está vencendo a doença.

Vem a ressaca. Aquela medicação que você diminuiu agora está fazendo diferença. Você se torna mais lento, movimentos involuntários, problemas em caminhar e desenvolver uma fala. Começam a aparecer sintomas que não existiam.

Então, o que você faz?

Volta a tomar toda a medicação novamente. E pior, volta tomando um comprimido a mais achando que isso vai melhorar. A partir daquele momento aquele novo sintoma vai  continuar com você.

Nunca, eu disse: Nunca tente parar a medicação. As consequências podem ser irreversíveis.

Esse "vai e vem! de confiança aconteceu comigo e hoje possuo algumas consequências do meus atos e aprendi que devemos fazer qualquer alteração com a indicação do médico. Se não está satisfeito com o seu médico, procure outro em que você confie.

E aproveitem enquanto você pode. Utilize esse tempo para descobrir coisas novas, melhorar a qualidade  de vida e façam coisas que te deixem feliz. E o que te deixa feliz? O que te faz acordar motivado?

Descubra. E então parta para essa jornada. Lembre-se. Tudo passa, tudo sempre passará. O mundo começa agora.

Não quero lembrar que eu minto também

NÃO!!!
NÃO!!!
Não é ai tio Rui!!!

Eu estou aqui!!!`

Por um momento fiquei paralisado procurando e esperando que alguém fosse me atacar.

Em meio a uma estação de verão que passara na casa do meu irmão, que na época morava em Guarapari.

Sim, sim, sim. Eu  sei que vocês vão falar que é praia dos mineiros. Mas isso não é totalmente verdade. Mas confesso que 3 dos meus vizinhos que há muito tempo não vejo na rua, consegui, em Guarapari, conversar com eles durante horas.

Normalmente acordo cedo, por volta das 06 da manhã. Aproveito que estou na casa do meu irmão e vou malhar um pouco. Como no bairro não havia academias comecei com exercícios em casa mesmo.  Por fim, encontrei uma academia a ceu aberto bem na orla da praia com os pesos, barrar e alteres feitos com cimento.

Era totalmente bruto e rustico mas sinceramente: Funcionavam

Eram ótimos para a musculação. Nada mal por ser a beira de praia.

Nesse dia fui na praia com minha sobrinha. Ela tinha uns 10 anos, mas era uma loirinha de olhos claros. Não tinha como confundi-la. Estávamos curtindo a praia e resolvi malhar um pouco nesse espaço improvisado. Deixei a minha sobrinha brincando na areia e mesmo um pouco afastado ainda fiquei de olho nela. Estava cuidando dela pois o pai estava trabalhando.

Já a alguns 40 minutos de malhação, começa uma ventania forte. A praia já estava ligeiramente ocupada.. Então corri para ver se esteava tudo bem com minha sobrinha.

De longe avisto aquela menina loirinha construindo um castelinho lindo de área. Até me surpreendeu. Fiquei impressionado com a destreza e habilidades que essa pequena criança tinha em construção. Pensei: Vai ser engenheira.

Veno aquela obra prime que deveria ter sido suada e vigorosamente construída, resolvi dar uma de "tio" pensei: Vou chegar lá e pisar no castelinho

Eu sei, eu já sei disso. É maldade. É coisa de tio mesmo, sem noção.  Sei que vocês vão pensar.

Então lá fui eu. Determinado, confiante em destruir o castelinho de minha sobrinha. Andei em passos largos para não dar tempo de virar.  Tomei cuidado para ela não ver eu chegando, então cheguei pela lateral e pisei firme no castelo e derrubei-o. Enquanto pisava na segunda torre do castelo escutava uma voz bem fraquinha, mas com um impacto muito grande, dizendo

NÃO!!!
NÃO!!!
Não é ai tio Rui!!!
Eu estou aqui!!!`

O meu celebro calculou essa informação de uma maneira tão rápida que a criança a qual eu não conhecia em que eu estava destruído o seu castelo nem conseguiu chorar. Saltei do lugar onde estava o castelo e eu e essa criança começamos a procurar os pais dele. Elas para falar o que eu fiz e eu pra fugir.

Corri, desesperadamente,  peguei minha sobrinha pelo braço e disse:

- Vamos embora. Estou passando mal.

- Tá bom tio, eu queria ficar mais, mas eu sei que o senhor está doente.

Eu disse:

- é isso mesmo menina, mas não para de correr!!!

Não sou de sensibilizar os outros com a doença, nunca justifiquei meus atos por causa do parkinson. Mas se voce tiver a oportunidade de utilizar ela a seu favor, utilize. 

Então, corra atras dos seu direitos. Existem na lei várias vantagens e direitos que um portador de parkinson possui. Irei abordar a maioria delas nos próximos posts.

Se voce já carrega a doença, então aproveite o para extrair o máximo de benefícios que voce tem direito.



sábado, 3 de setembro de 2016

Nada mais vai me ferir.

Não possuo hãbito de ler as bulas dos remédios que eu tomo. Não acredito em todas as coisas que estão escrita neste papel. Não é que eu duvide da reação ou da utilização dos medicamentos. Mas  também acredito muito no efeito placebo. 

Você pega a bula, lê-a e vai principalmente no assunto “ efeitos colaterais” onde você fica abismado achando que todos aqueles efeitos colaterais vão acontecer com você. E nossa mente acaba trabalhando com a sua preocupação e tendenciando a você sofrer daquilo que você acha  que vai sofrer. A mente é um sistema absurdo.

Os efeitos colaterais de remédios são tão expansivos que acho que eles colocam na bula todas os efeitos possíveis e imagináveis porque se ocorrer algum deles com alguém a farmaceuteca estará resguardada.

Porque estou falando de descrições de bula? 

Bem, porque estive no shopping semana passada, depois que já tinha recebido o meu salário e estava feliz, pois diferentemente de vários dias do mês, aquele momento eu estava em condições de comprar o que eu quisesse e comer e se esbaldar. Já sabendo que depois de pagar as dívidas mensais, em menos de 10 dias, voltaria para a estaca zero. Mas tudo bem, deixe-me aproveitar os meus pequenos momentos de prazer.

Infelizmente eu tenho um sério problema em administrar o meu dinheiro. Quando tenho dinheiro na mão se torna um vendaval.  Acho que preciso comprar tudo o que aparece pela frente. Várias vezes vou ao supermercado, pego todos os produtos que poso, desde a um chips doritos até um caderno de capa mole fraseado. Quando chego no caixa para pagar, paro e me pergunto: Eu realmente preciso disso? Isso realmente é necessário? Nesse momento eu vou retirando tudo do carrinho que é supérfulo e adivinhem: 

Só sobrou o pepino e dois tomates. 

Deixo tudo lá e levo as verduras. Isso porque é saudável.

Quando vou no shopping com dinheiro no bolso eu fico imaginando a sensação que uma mulher tem quando entra em um lugar daqueles (mas elas tem essa sensação com ou sem dinheiro) e fico vendo nas vitrines tudo o que eu queria comprar que não tem a menor necessidade.

As vezes estou em casa e gosto de assistir ao shoptime, (aquele famoso canal de comprar Da-lhe  Botine) nesse momento fico observando quanta coisa diferente existe, que eu não sabia e fico mais atordoado ainda  quando vejo que aquilo que eu não conhecia é essencial para minha cozinha agora.
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Eles tentam lhe convencer que você precisa de um acessório, que você nunca precisou mas agora você não consegue mais cozinhar direito sem ele. E você precisa comprá-lo, porque o tempo de promoção está se esgotando, já foram vendidas 33 unidades e são apenas 40 no estoque.

Quando olho já estou no "canal do boi'  vendo cabeças de gado para comprar para uma fazenda que eu não tenho e no sofá segurando uma faca "Ginso", que corta tudo desde um tomate até um cano de cobre, e fazendo pipoca  na minha nova pipoqueira "SunKitchen".

Minha família sempre me pressiona a não gastar dinheiro a toa. A ser controlado, a tentar guardar mais um pouco por mês. Tudo o que eu compro desde coisas pequenas é criticado por minha família, perguntando: Pra que voce precisa disso?

Eu nunca tenho uma resposta. Por que não há´uma resposta certa para isso.

A poucos dias atrás, estava eu no banheiro, utilizando-o, quando me deparei com uma caixa do remédio que eu tomo para o Parkinson muito conhecido que se chama SIFROl. Bem, como todo o ser humano faz quando está no banheiro, e não tem nada pra fazer, você normalmente pega um desodorante, um shampoo, um condicionador ou qualquer produto que estiver perto para ficar lendo aquelas letrinhas escritas no verso da embalagem. Sempre com aquele “ fabricado na Argentina”.

Como já havia lido todos os rótulos decidi ler a bula do remédio, evidentemente com uma pitada de curiosidade antiga. Enquanto lia a parte de efeitos colaterais me deparei com o seguinte efeito: 

Compulsão para compras.

Quer dizer, tudo estava explicado. Aquela resposta que eu não tinha quando perguntavam porque eu gastava a toa, agora estava respondida.:

- Desculpa, mas é efeito colateral do meu remédio. Não posso parar de tomá-lo.

Mas também percebi que esse efeito também passam rapidinho quando você não possui dinheiro pra gastar.

É um circulo vicioso mal escrito pelo universo que os parkinsonianos tem de enfrentar.

E uma frase ótima que eu ouvi sobre "vaidade": È você comprar uma coisa que você não quer com um dinheiro que você não tem, para mostrar a uma pessoa que você não gosta aquilo que você não é.

Eu rabisco o sol que a chuva apagou

Uma das coisas mais gravadas em minha memória da época da minha infância era a convivência que tinha com a  minha vizinhança. Morávamos em uma rua  sem saída onde proporcionava que brincássemos ao ar livre. O asfalto já era pintado com as marcações de uma quadra de futebol. Mais acima na rua tinha a marcação para vôlei. E assim todos os finais de semana a vizinhança toda saia na rua para brincar, praticar esportes, conversar e ficar a toa.

Era maravilhoso. Sempre tinha alguém que trazia água gelada ou da mangueira para refrescarmos do calor de jogar bola. Quando chegava a noite brincávamos de pique esconde. Quando não tinha nada para fazer, principalmente, para nós que éramos crianças a solução eram duas: ou ver TV ou ir pra rua e conversar com os amigos. Quer dizer, tínhamos vídeo-game e quando eu digo vídeo game quero dizer atari ou micro system com o famaso Sonic. Lógico, o vídeo game não era nada comparado ao que é hoje mas, mesmo assim, não era mais forte do que jogar uma brincar na rua.

Um das coisas que eu mais sinto saudade daquela época, é que não tínhamos internet via celular, e por isso quando faltava a Luz todos saiam na rua para conversar e matar o tempo e quando a luz voltava tinha até aquele sentimento de :  Poderia  ter durado mais, que pena!!!

Hoje gosto quando a luz acaba. É o momento que mesmo dentro da família temos a chance de conversar um com o outro sem estarmos conectados. Não estou dizendo isso porque não gosto de tecnologia, eu trabalho como analista de TI. É porque esses momentos de comunhão e de desfrutar da presença de outros está cada vez mais incomum.

Eu sei, eu sei.
zHoje temos acesso a todo tipo de informação. Quando temos uma dúvida, não perguntamos a ninguém, pegamos o nosso celular e a resposta direto no Google. Temos muito mais acesso a informação e melhor, todos as classes sociais tem acesso a este mundo digital de conhecimento.

Quando cumprimentamos uma pessoa qualquer, falamos: “Olá, como vai?” ,  automático, impensável e desprovido de qualquer interesse pelo outro.  Quando é que queremos saber como realmente a pessoa está?  O que ela está sentindo naquele momento e o que voce pode fazer para ajudá-lo. Quando é que mostramos real interesse pelo nosso próximo?

Temos 500 amigos adicionados no nosso whatsup mas quantos são realmente amigos. Quando voce tem realmente o interesse de como ele está se sentindo. Hoje ganhamos na tecnologia e acesso a informação mas esquecemos que muitas experiências aprendidas são por conversarmos com pessoas próximas a nós, família ou não. Quantas vezes já conversamos com desconhecidos no ponto de ônibus em que a história de vida dela lhe dá um exemplo de vida quando voce menos esperava;  e te ajudou de alguma forma que o google não te ajudaria?.

Eu fico vendo todas as pessoas com o telefone na mão e penso: Legal!!! A tecnologia é pra isso mesmo. Cada vez mais vem para diminuir o tempo de desperdiçado e nos faz ganhar tempo em atividades que demoraríamos muito para executar. Por exemplo, não precisamos mais ir no banco. Não é fantástico, quem diria que eu deixaria de pegar ônibus ou carro, estacionar, enfrentar uma fila no banco e conseguir fazer isso hoje tudo pelo celular que esta no meu bolso.  Quem diria que eu não precisaria sair de casa para comprar passagens áreas, fazer compras, pedir comida. Digo até mesmo pelo próprio celular. Quem diria que cada um teria o seu próprio telefone e cada um pode ser achado 24 horas por dia sem voce perder tempo.

Tempo. É isso que buscamos e nos deixa um paradoxo atualmente. Hoje, temos a tecnologia para encurtar nosso trabalho. E qual é o objetivo de diminuir nosso trabalho!

- Ganhar tempo!!!

E o que fazemos com o nosso tempo:

- Ficamos cada vez mais utilizando a tecnologia, distraídos com jogos e redes sociais.

É um circulo viciante.

Em uma noite bucólica de um final de novembro, fui jantar na casa do meu irmão. E quando eu cheguei estava 7 pessoas na mesa, distribuídas geometricamente e todos usando o celular e utilizando o whats.

Silencio, Era única coisa que ouvia.

Risadas. Foi o que ouvi logo em seguida. Mas, notei que todos riram ao mesmo tempo e depois de poucos segundos percebi que todos estavam no mesmo grupo...

Fiquei bestificado.

Minha família, em volta da mesa, conversando entre si pelo whatsup. O que eu poderia fazer:

Pedi para me adicionarem no grupo pois queria almoçar com eles.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas

Como fazer um pão? Simples, junte a  farinha, água e fermento. Depois basta apenas sovar. Fim?
Muitos diriam que é fácil. Mas nada é tão fácil para um parkisoniano. Principalmente quando tem alguém observando.




Quando voce ouve falar em Parkinson, qual a primeira visão que as pessoas possuem? Uma pessoa que treme desesperadamente que nem consegue atirar uma flecha na pira olímpica. 




não podemos julgar, pois antes de termos a doença também tínhamos essa impressão. Mas mal sabem as pessoas que o tremor não é a principal característica do Parkinson e sim alguns efeitos que não são vistos como, por exemplo, a falta de coordenação, o enrijecimento, entre outros.




Quando estou com a medicação em dia e estou calmo o tremor é quase imperceptível, mas se eu ficar nervoso fico totalmente exposto pelo tremor. E o que me deixa nervoso? As pessoas repararem no que voce está fazendo. Ficarem observando seus movimentos, não sei bem qual é o objetivo. Talvez esperando que voce trema. Ou achando que voce vai fazer uma bagunça imensa jogando tudo pro alto.




Quando sinto que tem alguém me observando fico extremamente nervoso. Mas sei que isso é questão de controle pessoal. Estou trabalhando nisso. Quando vejo que vou perder o controle, respiro fundo, deixo-me acalmar, faço questão de não pensar em nada no momento, mas sou interrompido por pessoas gritando:




- TAMBÉM QUEREMOS NOS SERVIR...




O recíproco também é verdadeiro. Quando estou calmo e tranquilo e vejo que uma pessoa está olhando para o meu braço contando que eu trema para ela satisfatoriamente se concretizar da verdade eu faço questão de não tremer. Fico totalmente imóvel e vejo a decepção no rosto da pessoa.




Se conhecer é o melhor caminho. Se conhecer a ponto de voce controlar o seu corpo é essencial. Talvez não controlar o corpo, mas sua mente. Quando passamos por situações complicadas sentimos fragilidade. E é essa fragilidade que nos faz perder o controle da situação. Não importa a situação, pare, concentre-se, respire e siga em frente.




Já tive momentos, principalmente em caixa de supermercado, que quando fui guardar as compras na sacola, comecei bem, mas em algum momento senti alguma dificuldade para abrir uma das sacolas. Quando eu olhei para frente tinha uma mulher que trabalhava no supermercado já olhando para mim, aí deu-se a desgraça!!!.




Comecei a tremer mais e nesse momento eu já nem conseguia pegar a sacola. Parei. Respirei fundo. Respirei fundo de novo. Respirei fundo mas uma vez. Tirei a mão da mulher que estava no meu ombro perguntando se eu estava passando mal e...  respirei fundo.  Segui em frente. Naquele dia eu percebi que a concentração sobre o nada, nos faz ter controle sobre tudo.





Então, pratiquem Ioga ou mastigue chiclete. Dizem que os dois acalmam.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Afinal, amar ao próximo é tão Démodé

Qando tenho oportunidade gosto de conversar com as pessoas que eu não conheço. Na rua, em filas, em restaurantes e gosto de ouvir suas histórias. Normalmente, sem nenhum receio, pergunto: Qual a sua motivação? O que te faz acordar todas os dias e levantar da cama?

É uma pergunta para se fazer a quem voce mal conhece? Não. Mas mesmo assim eu faço.

Tive minha documentação de motorista vencida. Então tive que realizar o exame médico novamente para renovar a carteira. Devido a alguns problemas de vista tive que ser encaminhado para uma segunda consulta de revisão.

Bem, ao chegar ao local estava na sala esperando pelo atendimento e notei que tinha algumas pessoas também na fila aguardando. Fiquei curioso para saber porque estavam ali, pois de alguma maneira. também tinham sido reprovadas no primeiro exame médico.

Primeiro reparei em uma Senhora que estava  com várias documentações na mão e impaciente balbuciando algum tipo de reclamação. Logo perguntei para ela porque ela estava ali e tive a seguinte resposta:

- Eu estou aqui para provar que tenho braço.

Oque? ? ?!!! Exclamei.

- No meu último exame médico o aparelho disse que eu não tenho braço esquerdo.

E eu novamente perguntei:

Oque? ? ?

- Sim. Eu não consegui tirar a carteira pois o laudo médico disse que eu não tenho braço.
Sem nenhum remorso eu iniciei uma risada que contagiou a todos na sala.

Fiquei imaginando ela caíndo em uma blitz e ter que explicar para o policial que ela tinha um braço mas que a documentação falava ao contrário. O policial iria falar:

- Olha minha senhora, aqui diz que a senhora não tem braço, mas a senhora tem btraço. Vou ter que apreender senhora por ter um braço a mais.

O que ela poderia dizer em seu favor?

- O seu policial, o braço cresceu dinovo.

Olha a senhora vai ter que pra delgacia para explicar esse braço a mais.

A minha última pergunta a mim mesmo é como ela deixou e assinou a documentação de que ela não tinha braço no momento do exame inicial.

Bem, neste momento em que estávamos confabulando sobre o que poderia acontecer futuramente com sua documentação, adentra ao recinto uma senhora na faixa de 50 anos de idade com muita dificuldade para andar e se locomover. Com o auxilio de uma bengala demorou quase 5 minutos para chegar a sala e sentar-se adequadamente.

Como de costume perguntei porque estava ali. E novamente fui surpreendido. A reposta dela foi:
- Estou aqui para tirar minha carteira na minha moto nova.

Oque? ? ?!!!  Exclamei.

Comprei uma moto nova e reque renovar a carteira para essa moto, disse ela.

E eu disse:

-oque? ? ? Renovar? ? ?

A senhora já tinha carteira, perguntei admirado.

- Sim, já tive 2 motos anteriormente.

E eu perguntei:

- O que? ? ?

É por isso que gosto de conversar com todo o tipo de pessoa. Voce encontra várias surpresas na vida de cada uma. E mesmo parecendo que a vida de um é parecida rotineiramente com a vida de outro, sempre existem curiosidade e peculiaridades que nos fazem refletir e nos fazem crescer de alguma forma. Aprendemos a rir juntos com os problemas e a entender que muita coisa pode ser superada sem nenhuma autopiedade.

Por mais que no dia voce esteja estressado, mal humorado e sem vontade de cantar uma bela canção, não perca a oportunidade de conhecer novas pessoas. E ao conhecer tente ouvir ao invés de falar. Lembre-se que conhecer histórias de vida diferentes o ajudará a centralizar a sua. Não julgue, não condene, não dê sua opinião baseado nos seus valores ou experiência, não dê conselhos (pois conselhos são uma forma de nostalgia. É como pegar o seu passado em uma lata de lixo, limpá-lo e vende-lo por um preço muito maior do que ele vale).


Apenas “ouça” .